Exposição ‘Cartas Que Levam Abraços’

Exposição ‘Cartas Que Levam Abraços’ !

Desde o surgimento da comunicação via e-mail, as correspondências encaminhadas pelo correio caíram em desuso. As conexões rápidas são mais importantes e a regra são frases curtas, de fácil entendimento, com um simples olhar. A descrição dos nossos dias, sentimentos e necessidades são resumidas em emojis, siglas e abreviações.

A distância física imposta pela pandemia não nos afasta, necessariamente, de nossos afetos. Novas formas de comunicação foram instaladas, as conversas virtuais viraram rotina e o trabalho em casa passou a tomar conta de nossos dias com a utilização em grande escala da internet.

Embora possamos nos comunicar constantemente o que mais nos faz falta, nestes tempos de isolamento, é a emoção da troca de carinho com o outro. Pensando nesse fato, buscamos a retomada de um hábito nem tão antigo assim, mas que foi esquecido na correria no nosso dia a dia, que é o de escrever cartas. Mais do que um meio de comunicação, as cartas são uma forma de perpetuar sentimentos, de carregar memórias, de dizermos o quanto nos importamos com o outro. Isso se demonstra pelo ato de pararmos todos os nossos afazeres cotidianos para, num pedaço de papel, relatarmos o que fizemos em nossa rotina, a falta que sentimos dos amores e, por fim, o abraço que queremos dar.

Sendo assim, o Museu Diários do Isolamento convida você a conferir a exposição “Cartas que levam abraços”.

Clique nos postais para acessar o conteúdo de cada carta na íntegra.

Cotidiano

Como é possível o que está acontecendo? – digo eu, na urgência da compreensão e penso que bom, estás no jardim a plantar rosas, como sempre, enquanto o tempo passa e transpassa [eu nós]!”
Aprendi muitas coisas ao longo desse período, mas principalmente que devo cuidar mais de mim mesma. Durante muito tempo me deixei para depois, deixei que minha vida se definisse a partir da ideia de cuidar da sua.”
“Os dias parecem mais longos do que de costume e tenho dificuldade de me concentrar em questões práticas.”
Sei que estás cumprindo teu dever como profissional da saúde, mas fico ansiosa em saber que estás trabalhando na linha de frente do covid-19.

Sentimentos

“Vou falar da sede admirável que te vi beber cada minuto dessa vida. Do teu modo único de sugar os bons momentos. De enxergar o horizonte. Caçadora de emoções.
“Não sei se você me escuta, mas às vezes te mando em pensamento, uma angústia, uma dúvida, uma palavra de saudade, na esperança de que sim, que você me escute.”
“ Colocamos o desenho que fizestes em uma moldura e agora ele faz companhia ao retrato de Gandhi e a frase do Mujica, para nos fazer lembrar que o mundo precisa de resistência, justiça social e imaginação.”
“ Apenas me pergunto: o que fizemos da humanidade que nos habita? O que fizemos com o que aprendemos e com o avanço da ciência? Para onde caminhará a humanidade? O que esta pandemia nos ensinará?”
“Vamos refletir sobre os sonhos e anseios em 2020? Tivemos sentimentos de angústia, de medo, horas e horas de ansiedade. Nada disso é fácil!”
“Carta aos meus amigos do Mercado
Eu, preocupado, torcia para que fosse “apenas uma gripezinha”. Só que não era mesmo uma gripezinha. Não foi. Não está sendo.”
“Essa falta de ar da pandemia é real e, ao mesmo tempo, subjetiva, quando vai acabar? Qual o deadline deste fenômeno? É uma angústia que se junta com a resignação, sensação muito estranha”
“Querida criança, chegaste para nossa família em momento difícil da histeria da humanidade, mas com todo cuidado que teus pais tiveram durante a gestação, vieste cheia de saúde e tua presença mimosa invade essa realidade tão dura que estamos enfrentando contra um vírus ainda pouco previsível.”

Poéticas

VER-melha é uma fotografia que registra de forma poética,
um instante in-VISÍVEL,
nas retinas cansadas de tantas distr-AÇÕES.
Isto não é uma carta, isto é uma observação visual: um exercício de registrar uma imagem em texto.”
-O mundo acabou. Ufa! Eu já não aguentava mais.”
“E de repente, não mais que de repente
o mundo virtual cai sobre a gente
explode nosso depósito de cuidados…”
“Chego até a janela e enxergo (ou imagino?) um extenso jardim quase sem fim, onde pessoas paradas, aguardam também que passe o tempo. e eu mesmo tenho uma impressão de que já as vi antes, pode ser, não tenho mais certeza de nada, não sei se é memória ou só imaginação; deve ser o vírus, talvez…”.

Histórico-sociais

“Tocou-nos a todos viver este tempo de isolamento mas a ti tocou fazer aniversário nele, pois que seja, vamos celebrar a tua vida e a tua presença nas nossas vidas que são melhores porque estás nelas.”
“Rê, amiga querida,
Fui ler sobre um tempo passado, visitar um ano distante que alguns dizem semelhante com 2020. Fui lá, 1918. Viajei pelas palavras de gente que estudou – alguns – e escreveu sobre isso.”
“Assim como em quase todos os lugares do mundo passamos por duro período, afastados uns dos outros, permanecendo muito em casa. Falando de familiares e amigos apenas pelas telas dos celulares e computadores conversando com parentes e amigos pelas janelas e sacadas.”

‘Cartas Que Levam Abraços’: mande abraços você também

O MuDI convida você a participar da nossa exposição.

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Coordenação: Daniel Maurício Viana de Souza

Curadoria: Noris Mara Pacheco Martins Leal, Aline Tavares da Silva e Maria Waleska Siga Peil Martins

Criação de arte e design: Guilherme Susin Sirtoli e Carolina Fogaça Tenotti

Montagem: Guilherme Susin Sirtoli, Carolina Fogaça Tenotti, Alice Tavares da Silva, Noris Mara Pacheco Martins Leal, Aline Tavares da Silva, Maria Waleska Siga Peil Martins e Daniel Maurício Viana de Souza

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